“Não consegui me controlar”, diz réu que matou comerciante em Apodi

Foto: Josemário Alves / MH

Durante julgamento na manhã desta sexta-feira (10) no Fórum Desembargador Silveira Martins em Mossoró, o autônomo Jônatas Costa Carlos, de 35 anos, contou sua versão de como matou o comerciante José Sales Sobrinho, dentro de um bar no ano de 2009, em Apodi, com tiros de doze.

O crime chocou a população pelos motivos banais e culminou em outro assassinato quatro anos depois por vingança.

“Não tive essa intenção, mas infelizmente fui eu que atirei. Não consegui me controlar”, respondeu ele ao juiz, após ser questionado se confessava o assassinato.

De acordo com Jônatas, réu no processo, ele teria ido com um amigo ao bar do Sobrinho negociar a venda de uma vaca. Ao chegar lá, presenciou o comerciante agredindo um amigo e decidiu interceder por ele.

“Nessa hora, ele saiu de dentro do bar, pegou na gola de minha camisa, me encostou no freezer e disse: ‘homem da sua qualidade a gente não mata de bala não, mata de cocorote’. E ficou batendo nos meus peitos e na minha cara”, detalhou Jônatas.

Segundo o réu, o dono do bar estava armado com um revólver na cintura. Com a ajuda do amigo, com o qual iria negociar a vaca, ele conseguiu se soltar, pegar sua moto e fugir.

“Ele ficou gritando: ‘olhe, se eu não te pegar dentro de casa, eu te pego no meio da rua, vagabundo’, daí eu fiquei com isso na cabeça”, acrescentou.

Neste momento, Jônatas seguiu para casa e, no caminho, precisou parar em um posto de gasolina porque estava muito nervoso e chorando.

(Foto: Josemário Alves / MH)
Já em casa, ele pegou uma espingarda caseira que possuía para espantar urubus e voltou para o bar.

“Havia rumores de que ele tinha envolvimento em outros homicídios e nunca deu em nada. Eu não queria fazer essa besteira não, minha intenção era dar um susto nele”, informou o autônomo.

Ao chegar no estabelecimento, Jônatas gritou por Sobrinho. Ao vê-lo com a espingarda, o comerciante se levantou rapidamente da cadeira, onde estava sentado, e puxou o revólver. Foi neste momento que o acusado atirou contra a vítima, que caiu e morreu na cadeira.

“E eu sai desesperado, desesperado mesmo. Quando eu soube que ele tinha morrido me senti a pior pessoa do mundo. Nunca imaginei chegar a este ponto”, concluiu o depoimento.

Na época, Jônatas não foi preso porque conseguiu livrar o flagrante, mas foi visto na cena do crime por diversas testemunhas.

Ele destacou que, quando era ameaçado por Sobrinho, só pensava nas suas duas filhas gêmeas, que tinham acabado de nascer e como seria a vida delas caso ele fosse morto.

Quatro anos depois, em 2013, o pai de Jônatas, o comerciante Raimundo Nonato de Carlos, de 60 anos, foi assassinado pelo filho de Sobrinho. Este crime já foi esclarecido, com a confissão.

“Perdi meu pai, quem matou foi o filho de Sobrinho. 40 dias depois, minha mãe morreu. Minha família foi destruída”, frisou o réu.

Enquanto prestava depoimento no Tribunal, vários familiares de Jônatas Carlos choraram relembrando o crime.

O julgamento não tem hora prevista para terminar e deverá acontecer durante todo o dia. Os trabalhos são presididos pelo juiz Vagnos Kelly Figueiredo.

A decisão de culpar ou inocentar o réu será dada pelo júri popular, composto por pessoas da sociedade.

Fonte: Mossoró Hoje

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