Campo-grandense Alberto Liberato morreu aos 72 anos em Natal

O campo-grandense Alberto Liberato morreu aos 72 anos de idade na última quinta-feira, 31/12/15, na capital do Estado do Rio Grande do Norte, Natal.

Abaixo segue a homenagem do Professor José Jales, onde fala da vida do Grande Alberto Liberato:

“O povo não quer saber de arte. O povo quer saber de festa e carnaval.” Alberto Liberato
Alberto Liberato, considerava-se artista desde criança, pois desde cedo a arte fruía naturalmente por se achar um ser de inteligência superior. 

Artista plástico por formação e Mestre em História da arte, além de muitas outras especialidades, Alberto foi um escultor brilhante e um pintor que, apesar de ter o traço firme, não se via como um artista completo na pintura, por não ter ao longo do tempo definido um estilo a qual seguir. Desse modo, tornou-se um exímio escultor, especializando-se principalmente na representação de bustos chegando a ter seus trabalhos escultóricos premiados.

Para desenvolver o seu trabalho de escultura utilizava as técnicas da forma de barro e a técnica da cera perdida. A primeira consiste em fazer uma forma com esse material, dentro da qual era despejado o metal já derretido em um forno. Depois do esfriamento do metal, a forma era quebrada, obtendo-se, então, uma escultura com o formato anteriormente dado ao barro. Já a técnica da cera perdida começava com a construção de um modelo em cera que era, depois, revestido de barro e aquecido, tendo-se o cuidado de deixar nele um orifício. Com o calor do barro, a cera derretia e escorria pelo orifício, obtendo-se, assim, um objeto oco. Depois, por esse mesmo orifício, preenchia-se o objeto com metal fundido. Quando este esfriava e endurecia, quebrava-se o molde de barro: dentro dele encontrava-se a escultura em metal, igual à que o artista havia moldado em cera. Como no nosso município não dispões de serviços de fundição, seus trabalhos são enviados para fora para se chegar à sua conclusão. Também utilizava o concreto armado e a fibra de vidro, material de manuseio difícil, pois quando usado sem o devido cuidado pode causar lesões na pele.

Alberto se profissionalizou no início dos anos 90, quando concluiu o curso de artes plásticas. Porém, interrompeu sua produção artística que duraram os breves 15 anos quando regressou do Rio de Janeiro para sua terra natal, parando definitivamente com a arte.

Na época em que visitei a residência do artista, pôde-se notar que ele não parou de fato, pois desenvolveu um trabalho inovador, combinando quinquilharias que, organizadas em determinados locais, surge um novo tipo de arte escultórica, direcionada exclusivamente ao abstracionismo. Combinando objetos simples e de origem local como, diversos tipos de ferramentas, chocalhos, ou ainda, material de refugo, surge a escultura de parede ou quadros tridimensionais, que o artista se utilizava de todo o seu poder de criação para dar a esses objetos um tom de arte que decorasse o ambiente em que morava. Para desenvolver o abstracionismo na sua arte, trabalhou muito com conceitos, sua intuição e seus sentimentos, provocando nas pessoas, que visualizam a obra, uma série de interpretações. Portanto, uma mesma obra de arte pode ser vista, sentida e interpretada de várias formas.

Agnóstico e cético, ou seja, considerava os fenômenos sobrenaturais inacessíveis à compreensão humana, (A palavra deriva do termo grego “agnostos” que significa “desconhecido", "não cognoscível”), Alberto acreditava que a sociedade em si nunca deu o devido valor a arte, pois na atualidade poucos são aqueles que se interessam pelo tema. Para ele, isso não representa motivo para que deixasse de fazer aquilo que sempre fez - produzir a sua arte ao seu modo - mesmo que não agrade aqueles que não a entendia pelo simples fato de não observarem criticamente a sua produção.
Para desenvolver a sua arte, Alberto nunca buscou ter inspiração em algo. Sua arte surgia em meio ao seu dia a dia simples, mas que buscasse na simplicidade do sertanejo, - mesmo que não considerasse – a inspiração para produzir uma arte que enchesse os olhos e alimentasse a alma.

Minha homenagem ao grande artista da terra.
José Jales

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